terça-feira, 26 de maio de 2015

ONG disponibiliza atendimento médico e envia abortivos a mulheres de todo o mundo

ONG disponibiliza atendimento médico e envia abortivos a mulheres de todo o mundo

A médica responsável orienta as mulheres sobre como realizar o procedimento corretamente, com o objetivo de diminuir mortes causadas em abortos clandestinos


Mãe de dois filhos, Rebecca Gomperts é a médica holandesa fundadora da ONG Women On Web, que procura dar orientação a mulheres de vários países sobre como realizar aborto de forma segura. Além de atendimento médico em 11 línguas, que inclui português, a organização envia remédios abortivos gratuitos pelo correio com o objetivo de poupar vidas.

Os medicamentos são enviados para qualquer mulher que faça um pedido, desde que ela more em um país em que o aborto seja proibido.  A orientação da médica é de que a interrupção seja feita até a 12ª semana.

Segundo a médica, são cerca de 8 mil atendimentos por mês, com aproximadamente mil brasileiras. Mas, desde 2013, quando os pacotes começaram a ser confiscados pelo Correio, a tarefa de ajudar as mulheres do Brasil se tornou mais difícil e a chance dos medicamentos chegarem ao destino é de apenas 30%. Rebecca considera a situação do país uma das mais desesperadoras do mundo.

O aborto no Brasil

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a cada dois dias uma mulher brasileira morre em decorrência do aborto ilegal.

No Brasil, o aborto é considerado crime, sendo permitido apenas em casos especiais, como quando a gravidez oferece risco para a vida da gestante, quando o feto tem anencefalia e caso tenha havido estupro. Mesmo assim, segundo o estudo “Magnitude do abortamento induzido por faixa etária e grandes regiões”, de 2004 a 2013, entre 7,5 milhões e 9,3 milhões de mulheres interromperam uma gestação.

Para realizar o procedimento, essas mulheres buscam clínicas clandestinas ou utilizam medicamentos proibidos, fato que tornou o aborto o quinto maior causador de mortes maternas no Brasil. O estudo, que é da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), estima que ocorreram mais de 205 mil internações decorrentes de abortos em 2013.

A iniciativa

A médica Rebecca Gomperts decidiu criar a organização quando começou a conhecer mulheres que haviam realizado procedimentos ilegais. Quando estava trabalhando na África, a médica via constantemente mulheres machucadas por causa do aborto clandestino. Depois de ver tantas mortes, a médica resolveu intervir de alguma forma.

A organização é um braço da ONG Woman On Waves, que colocava mulheres em barcos e levava até águas internacionais para interromper gestações com atendimento médico. Em 2000, o ativismo viu na internet uma oportunidade de atingir mais pessoas e a ONG se adaptou. O atendimento das mulheres passou a ser online e mais direto.

Os remédios não têm custo algum para quem não pode pagar. A mulher só não pode ter nenhuma doença grave e sua gestação deve ter no máximo nove semanas. Também é preciso responder um questionário de 25 perguntas, que funciona como uma consulta sobre a saúde da mulher e sobre como ela se sente em relação ao aborto. Depois de preenchido, ele é encaminhado a um médico que autoriza o envio da medicação se não houver nenhum problema.

Como forma de segurança, as orientações de como usar os remédios são dadas no momento em que a mulher preenche o formulário. Assim, o pacote vem apenas com os comprimidos, que têm as substâncias Misoprostol e Mifrepristona, ambas proibidas no país. Segundo a médica, levar uma gestação adiante é mais arriscado do que interromper, por causa das complicações que podem acontecer. Ela diz que quando feito de maneira correta, o procedimento é seguro.

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